segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Aquela afinidade idiota pelo Chico Buarque(fictício)...

Depois de acontecimentos recentes, resolvi criar coragem e postar mais essa tentativa inútil...qualquer semelhança com a realidade é mera ficção(ou não), personagens citados são todos fictícios...qualquer alusão à bares, pessoas, mulheres, revistas, passado, homens, músicas, artistas, é tudo invenção da cabeça doentia de quem lê esse seleto blog...comentários maldosos serão bem-vindos.Vale ressaltar que este texticúlo não é endereçado a ninguém, e se alguém desconfiar que foi, cala a boca. Que a leitura cause bem-estar, nostalgia ou dor de barriga...sirvam-se...


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Chico Buarque não tinha necessariamente algo  haver com aquela história, talvez pelo fato de todos os seus derradeiros romances terem sidos embalados com suas canções, talvez por aquele assunto ser recorrente em suas conversas em mesa de bar, talvez por oportunamente ele estar lendo um ou outro romance enquanto suspirava pelo leite derramado, ou talvez que  quando saia pelas ruas vagando pelo Leblon, nunca seria descartada a hipótese de se trombar com o “talvez ídolo”. Seus amigos diziam que ele estava na “decadência”,  - Toda vez que vejo o fulano ele está naquele mesmo bar, praticamente com as mesmas roupas, mesma cara amassada, um livro/agenda que creio eu que dificilmente ele lê, e pra finalizar ele está sempre com uma mulher diferente, que aparentemente pode ser feia ou bonita, gorda, magra, triste, ninfomaníaca, empresária, protestante, nojenta, estranha, vaidosa, louca, preta, azul...mas que no final aparenta sempre ser a mesma mulher com  a mesma afinidade(ou fingia ter) idiota pelo tal Buarque de Holanda...
              Ele retrucava: - Sendo assim, fica mais fácil, já é meio caminho andado...Plagiava canções, fingia fazer poesia, chorava depois de alguns goles, e sua tristeza parecia se completar com qualquer uma das meninas multi-uso que  porventura o acompanhava. Eram romances tão banais, tão comuns na sua essência, que podia ouvir o mesmo disco “o amante” com todas que nenhuma música podia ter algo em particular com a gostosa da academia ou a frentista(tenho minhas dúvidas quanto a veracidade desses fatos). Acordava com : - Vai trabalhar vagabundo...e dormia por vezes as lágrimas com: - Dorme meu pequeninho, que ele está muito doente, de tanto amor que ele tem... Seria piegas eu dizer que “todo dia ela faz tudo sempre igual” talvez o certo de cantar seria: - Todo dia por ventura quem infelizmente esteja com ele faz tudo igual... e buarqueando ele levava a vida, ou pensava que levava, ou fingia, tinha a impressão, a leve impressão, enquanto tinha esses questionamentos ia tomando calmantes, excitantes e um bom bocado de gim, só pra não esperar tanto tempo vendo a banda passar...
           Era um dia novo, uma idéia nova e já não havia tanta necessidade de  se “desabafar”, continuava tudo no “mesmo soneto, mais um retrato em branco e preto pra acalmar meu coração”. Era tudo muito repetitivo ficava o dito por não dito, só que não existia mais que perfeito para alguma coisa ser desfeita. Nuca mais tinha ido ao cinema nunca mais tido um romance, e lhe faltava dinheiro para ter drink no lance, parecia haver uma escassez de garçonetes ou turistas, e até auxiliares de enfermagem... Essa meia história, meia crônica, meio desabafo, poderia terminar por aqui. Ou não. A fonte de histórias sobre Chico é inesgotável, sem fim, logo esta história não acaba é infinita, uma vez que todo esse amor gasto, esse amor não vivido, não correspondido, vai ficar guardado, pairando, flutuando milênios no ar, e quem sabe então, a filha da gorda, a neta da auxiliar de enfermagem, a azul, preta, ou quando quem sabe  a gostosa da academia ficar escrota, vai finalmente num futuro nem tão distante vai poder usar/se comprometer/viver/ encontrar...esse amor que não foi vivido, porque não foi correspondido, então poderão usar finalmente esse amor, os futuros amantes.

                                                                                                       André Martins
                                                                                                             22/03/11