I - Preambulo
Receita de breve crônica diária...
Acordo antes das 5, angustiado, sonhei de novo, sem muito
sentido. Olho o celular, Ligo o notebook, vejo algumas mensagens, leio algumas
notícias, menos mal. Volto a cochilar. Chego no escritório, bons dias, bons
dias, consulto alguns processos, volto para o escritório, o “chefe”, convida
para ir ao auditório da OAB, reunião da OIT.
Por volta das 9:30 o estomago já reclamava de fome (o
desjejum havia sido meio copo d’água e um gole de café) resisto bravamente uma
vez que os assuntos abordados estavam interessantes, até que 10:30, saio para ir
atrás de um “completo” (lanche composto de salgado+suco). Durante o lanche,
encontro um “colega” das antigas, breve papo sem muita intimidade, ele termina
o lanche na minha frente e na hora de pagar, ele só tinha nota “graúda”,
observo a dificuldade da moça do lanche, e me ofereço para pagar o lanche do
colega (o meu consumo foi de R$ 4,0 e o dele R$ 6,0 = 10, eu só tinha R$ 12,0
na carteira, não há de ser nada). Ele agradece, eu mando lembranças a sua senhora
e ele vai embora.
Volto a palestra, boas abordagens, boas discussões, adquiro
conhecimento. O relógio já marcava mais de 12 hs (o Estômago), na verdade eram
quase 13h, acaba o encontro e o “chefe” convida para almoçar no restaurante “verde”.
Comida saudável sem carne vermelha, bem razoável, bem temperada porém diferente
do meu habitual paladar de pedreiro gourmet. Como sem reclamar, exceto pelos
comentários ácidos acerca do suco e do ambiente. O “chefe” paga o almoço, que
custou algumas vezes mais que o gasto no lanche completo. Não há de ser nada.
Volto para o escritório, “agendamos a semana”, pego meu “Livrão”,
ajeito minha tela, vou pra casa. Banho rápido para esfriar o calor, vou para
aula. Bla bla blás, sobre Filosofia do Direito. Termino o que tenho que fazer,
revejo uns documentos e vou pra casa. Tiro um cochilo. O Relógio (estômago)
avisa que você almoçou no restaurante “verde”. Avanço em direção a geladeira...
II – Da receita:
Tentativa de delícia: Macarrão solitário embevecido na capivara apaixonada com molho “All-in” e queijo de búfala.
Pega-se todos os nobres ingredientes de
qualidade/aparência/cheiro duvidosos que se tem na geladeira e pensa-se no que
pode se aproveitar dali. Chega-se à conclusão de que pode sair uma massa, já
tem um resto de macarrão pronto, um resto de “boi baixinho”(capivara), só resta
o molho...Refoga-se o alho, juntamente com a cebola, seguido de pimentão,
tomate e outras coisitas más...comete-se o equívoco de colocar Katchup no lugar
do molho de tomate, mas tudo bem, não há de ser nada, corrige-se a acidez do
molho com nata de leite de búfala, e segue o jogo, digo o molho. Coloco um
pouco de shoyo, corrijo o sal, misturo tenras lascas de mozarela de búfala,
mais uns minutinhos para derreter, um queijo ralado industrializado para
decorar o prato(vencido há 3 dias) e voilá! Está pronta mais uma tentativa de
delícia para acalmar meu coração. Servidos?
Começo a comer afoito pela fome e pela vontade de escrever
essas palavras, queimo a língua, repenso o que vou escrever, aonde irei
publicar, quem vou marcar, para quem vou marcar, quem saciará a fome de
macarrão, de molhos, de palavras, de temperos, de companhia, de leitores, de
comentários, de versos...sonhei de novo, sem muito sentido. Olho o celular, Ligo
o notebook, vejo algumas mensagens, leio algumas notícias, menos mal. Volto a
cochilar...
André Martins
22/05/2017
É caros leitores, notem que isso pode ser tudo, menos uma receita de molho de qualquer coisa...