quinta-feira, 14 de abril de 2011

Placebos, suicídio e sorvete de flocos

I

Estou cansado de uma rotina angustiante que não me engrandece de forma alguma, pelo contrário, me acomoda e incomoda. Me sinto traído por aqueles em quem eu devia confiar. Não consigo ter êxito em minha querida e amada Belém (Nome de cidade) que tanto amo, mas que não me  suporta mais.Tenho Parauapebas (Nome de cidade), quente e aconchegante, mas minha vida por lá não resolveria nada, iria me isolar num sítio (local) onde só sairia de lá dentro de um caixão ou numa ambulância  pro hospício. Tenho medo e receio de tentar. “sou criança e não conheço a verdade, eu sou poeta e não aprendi a amar...” Estou cansado de dar trabalho, de ser fardo pros outros, minha vida de  regalias me tornou uma pessoa acomodada, tenho medo de realmente enfrentar meus problemas de frente, problemas  estes que eu nem sei ou quais são... Falta-me tesão pro viver, a cada dia  me assombro e me preocupo  mais com coisas que não estão relacionadas a mim. Atitudes das pessoas me enojam. Escondo-me num personagem que não sei definir. Tento ser bom, mas enquanto ajudo o próximo, de certa forma me transformo em ruína. As drogas estão ai próximas, agora não é novidade nenhuma que eu me afogo em álcool, então eu imagino que  um baseado ou um pó, que eu nunca fumei nem cheirei, de certa forma me acalmariam, mas além de serem ilegais não resolveriam meus problemas. Imagino que ninguém me entenda e eu não sei me explicar, mas creio que um amor de verdade acalmaria minha loucura.

II

O álcool, o vinho, a poesia, a maconha e a imagem de uma falta bem batida são ótimos placebos contra o suicídio! São euforias, alegrias, anestésicos, placebos... analgésicos, elixires que concerteza tornam a vida menos angustiante e afugentam,  mesmo que temporariamente/ momentaneamente ( as vezes é só pro um instante que a senhora morte mostra as caras pretas) a idéia, o desejo do suicídio, da morte, do caos. 70, 90, 130 milhões de Judeus assassinados, 17 mil ou milhões passando fome, a morte de um ente  querido, a bola que foi na trave, o amor perdido! Não importa a dor de um dói  quanto a do outro. Uma paulada, insônia, a mentira, prego no olho, desilusão, ignorância alheia, dedo na ferida... não importa a dor, quem sente é o seu coração ( cérebro), e felizmente ou infelizmente ele não enxerga, então cabe a você tentar calá-lo, anestesiá-lo, iludir ou enganar de vez. Tenho medo de pensar que escrevi grandes textos ( não que seja o caso deste), soa-me como uma carta de despedida da vida, ou estou realmente com medo da morte (qualquer um) , raramente tenho medo ( as vezes até imploro que ela me leve para dar umas voltas), mas em determinados  momentos, lembro o quanto  as vezes fui, e as vezes sou apaixonado pela vida, então me dá a agonia que placebo nenhum pode distrair, quando me vem umas idéias “fixas” de morte, além da “besta-fera” me preocupa uma overdose de placebo, que a tempos eu venho desprezando...

                                                          
III

Passou pela porta, e de repente percebeu que não se lembrava, não se situava de onde estava, de onde se encontrava, sentiu-se entrando na sala errada do cinema, observou  que poucas pessoas ao seu redor falavam a mesma língua , apesar do idioma ser o mesmo, procurou algo parecido com a lanchonete para tomar um trago, então se deu conta que já não tinha dinheiro algum. Moveu-se em direção contrária certificando-se de  que dava conta, que estava no comando de seus perfeitos movimentos. Então sentiu-se como um  escritor num dia de angústia que não consegue terminar seus escritos, ou o músico que a caba de perder a corda ou  acorde, observou-se estranhamente inútil e ficou inexplicavelmente  infeliz e satisfeito com algo que não sabia ao certo. Aos poucos foi se dando conta de que realmente não se dava conta de nada do que  estava se passando. De repente passa uma criança lambuzada de sorvete de flocos, com um enorme de um sorriso  no rosto, meio que exigindo uma risada de quem a visse em total displicência , algo no sorvete de flocos ô fez recordar que há muito ele já havia sido criança  dando o melhor de si, dando a única coisa boa de si, que era senão seu sorriso, sua gargalhada , a aparente alegria. Novamente lembrou-se de algo que não sabia o que, lembrou-se que lhe criticaram, que lhe negaram à explicação, que lhe faltaram a palavra, que lhe sumiram os gestos, que  enterralham-lhe  qualquer glória passada, que queimaram todos os seus investimentos, que o fez desistir daquilo que nem sabia antes de conhecer nem tentar, que se fez sentir ridículo, que lhe tirou a sensação de tentativa do dever cumprido, que lhe fez lembrar que era uma tragédia humana logo humano, que não sentiu seu chão, que continuou duvidando de Deus... percebeu suas lágrimas e viu que enxugá-las  seria covardia, porém continuou negando o sorriso  a criança, pois seria um sorriso falso, e tinha certeza que não suportava desonestidade de ninguém. O vento encarregou-se de secar o restante das lágrimas, então percebeu que qualquer sorriso passado, fora inútil. Então decidiu não sorrir nunca mais, nem do sorvete de flocos.
                                                
                                                                                     ( Marginalizados Pela Distância.)





Este texto foi  escrito, segundo depoimento do "autor", de formas desconexas, aleatórias, e indivudalmente. Eis que um belo dia  o então dono desse blog, resolve participar da Bienal da Une, e com pena de gastar R$ 40,00 pede ajuda ao escritor para "inscrever um trabalho", uma vez tendo o "trabalho" selecionado, ganhava-se a insenção da inscrição da Bienal e mais um "pro-labore"...eis que deu certo(Não me pergunte como, com  um título desses...). Acontece que fui pra Bienal, colhi os louros da vitória, e agora percebi que o dinheiro do "pro-labore" não deu pra pagar o meu "fornecedor" de textos...dai o cara liga me pressionando pedindo mais dinheiro...é um tal de "Ahmed" que trabalha pra um tal de "José Kosta"...fui pra Bienal só com o "título" afinal o texto nem é tão bom assim...

                                                                          

                                                                                      André Martins
                                                                                       14/04/2011 

sábado, 9 de abril de 2011

"Apresentação" Bienal 2011 RJ

Texto baseado na minha "apresentação", durante a Bienal da Une 2011. Parte do texto retirada do Livro "Do Desassossego", de Fernando Pessoa.


      "Pasmo sempre quando acabo qualquer coisa. Pasmo  e desolo-me. O meu instinto de perfeição deveria inibir-me de acabar; deveria inibir-me até de dar começo. Mas distraio-me e faço. O que consigo  é um produto, em mim, não de uma aplicação de vontade, mas de uma cedência dela. Começo porque não tenho força pra pensar; acabo porque  não tenho alma para suspender. Esta é minha covardia...Será que  hoje estou aqui, em plena praia diante dessa platéia maravilhosa, ou estarei internado, num asilo de mendicidade, feliz da derrota inteira, misturado com essa ralé dos que se julgaram gênios, e não foram mais do que mendigos com sonhos, junto com essa massa anônima dos que não tiveram poder para vencer nem renúncia larga para vencer do avesso. E tudo se resumirá a monotonia da vida quotidiana para, como recordação dos amores que não me foram advindos, ou dos triunfos que não haveriam de ser meus..."SE ESCREVO O QUE SINTO, É PORQUE ASSIM DIMINUO A FEBRE DE SENTIR..."...Tudo o que sabemos é impressão nossa, e tudo o que somos é impressão alheia..."





Cortei meu mal pela raiz
Não sei mais onde/com quem/porque/por onde andas
E essa vergonha também me sufoca...
Mas as leis não se aplicam a mim.
Essa história poderia ter outros finais...
Quem sabe até um final feliz
MAS POBRE DO MEU CARNAVAL...
CADA BEIJO QUE NÃO CONSIGO DAR,
É UMA TRAIÇÃO A MIM MESMO
QUERIA AO MENOS LAMENTAR OS BEIJOS,
QUE NÃO TE DEI!
Pobre dos meus versos, pobre de mim
Pobre do amor, que não vingou...
Hoje meu próprio sorriso me machuca
Mas, me resta buscar o imbuscável,  outro imbuscável
e  tentar viver longe dessa farsa de eu “poeta”
Mas não posso...
me trair!

                                                    André Martins
                                                        06/07/05

Primeiro poema mostrado "ao público", no mesmo ano de 2005, aos colegas de colégio, de calçada, de copo e de cruz...posteriormente concorrendo na semana de arte  Abaetetuba-Pa, e previsívelmente não ganhando nada..."se meu caderno alfarábico ganhou mundo, eu também posso...sem mais delongas, está dado o pontapé inicial de mais esta "tentativa inútil"...
                                                              

                                                                      (Daquele que se diz autor)