Placebos, suicídio e sorvete de flocos
I
Estou cansado de uma rotina angustiante que não me engrandece de forma alguma, pelo contrário, me acomoda e incomoda. Me sinto traído por aqueles em quem eu devia confiar. Não consigo ter êxito em minha querida e amada Belém (Nome de cidade) que tanto amo, mas que não me suporta mais.Tenho Parauapebas (Nome de cidade), quente e aconchegante, mas minha vida por lá não resolveria nada, iria me isolar num sítio (local) onde só sairia de lá dentro de um caixão ou numa ambulância pro hospício. Tenho medo e receio de tentar. “sou criança e não conheço a verdade, eu sou poeta e não aprendi a amar...” Estou cansado de dar trabalho, de ser fardo pros outros, minha vida de regalias me tornou uma pessoa acomodada, tenho medo de realmente enfrentar meus problemas de frente, problemas estes que eu nem sei ou quais são... Falta-me tesão pro viver, a cada dia me assombro e me preocupo mais com coisas que não estão relacionadas a mim. Atitudes das pessoas me enojam. Escondo-me num personagem que não sei definir. Tento ser bom, mas enquanto ajudo o próximo, de certa forma me transformo em ruína. As drogas estão ai próximas, agora não é novidade nenhuma que eu me afogo em álcool, então eu imagino que um baseado ou um pó, que eu nunca fumei nem cheirei, de certa forma me acalmariam, mas além de serem ilegais não resolveriam meus problemas. Imagino que ninguém me entenda e eu não sei me explicar, mas creio que um amor de verdade acalmaria minha loucura.
II
O álcool, o vinho, a poesia, a maconha e a imagem de uma falta bem batida são ótimos placebos contra o suicídio! São euforias, alegrias, anestésicos, placebos... analgésicos, elixires que concerteza tornam a vida menos angustiante e afugentam, mesmo que temporariamente/ momentaneamente ( as vezes é só pro um instante que a senhora morte mostra as caras pretas) a idéia, o desejo do suicídio, da morte, do caos. 70, 90, 130 milhões de Judeus assassinados, 17 mil ou milhões passando fome, a morte de um ente querido, a bola que foi na trave, o amor perdido! Não importa a dor de um dói quanto a do outro. Uma paulada, insônia, a mentira, prego no olho, desilusão, ignorância alheia, dedo na ferida... não importa a dor, quem sente é o seu coração ( cérebro), e felizmente ou infelizmente ele não enxerga, então cabe a você tentar calá-lo, anestesiá-lo, iludir ou enganar de vez. Tenho medo de pensar que escrevi grandes textos ( não que seja o caso deste), soa-me como uma carta de despedida da vida, ou estou realmente com medo da morte (qualquer um) , raramente tenho medo ( as vezes até imploro que ela me leve para dar umas voltas), mas em determinados momentos, lembro o quanto as vezes fui, e as vezes sou apaixonado pela vida, então me dá a agonia que placebo nenhum pode distrair, quando me vem umas idéias “fixas” de morte, além da “besta-fera” me preocupa uma overdose de placebo, que a tempos eu venho desprezando...
III
Passou pela porta, e de repente percebeu que não se lembrava, não se situava de onde estava, de onde se encontrava, sentiu-se entrando na sala errada do cinema, observou que poucas pessoas ao seu redor falavam a mesma língua , apesar do idioma ser o mesmo, procurou algo parecido com a lanchonete para tomar um trago, então se deu conta que já não tinha dinheiro algum. Moveu-se em direção contrária certificando-se de que dava conta, que estava no comando de seus perfeitos movimentos. Então sentiu-se como um escritor num dia de angústia que não consegue terminar seus escritos, ou o músico que a caba de perder a corda ou acorde, observou-se estranhamente inútil e ficou inexplicavelmente infeliz e satisfeito com algo que não sabia ao certo. Aos poucos foi se dando conta de que realmente não se dava conta de nada do que estava se passando. De repente passa uma criança lambuzada de sorvete de flocos, com um enorme de um sorriso no rosto, meio que exigindo uma risada de quem a visse em total displicência , algo no sorvete de flocos ô fez recordar que há muito ele já havia sido criança dando o melhor de si, dando a única coisa boa de si, que era senão seu sorriso, sua gargalhada , a aparente alegria. Novamente lembrou-se de algo que não sabia o que, lembrou-se que lhe criticaram, que lhe negaram à explicação, que lhe faltaram a palavra, que lhe sumiram os gestos, que enterralham-lhe qualquer glória passada, que queimaram todos os seus investimentos, que o fez desistir daquilo que nem sabia antes de conhecer nem tentar, que se fez sentir ridículo, que lhe tirou a sensação de tentativa do dever cumprido, que lhe fez lembrar que era uma tragédia humana logo humano, que não sentiu seu chão, que continuou duvidando de Deus... percebeu suas lágrimas e viu que enxugá-las seria covardia, porém continuou negando o sorriso a criança, pois seria um sorriso falso, e tinha certeza que não suportava desonestidade de ninguém. O vento encarregou-se de secar o restante das lágrimas, então percebeu que qualquer sorriso passado, fora inútil. Então decidiu não sorrir nunca mais, nem do sorvete de flocos.
( Marginalizados Pela Distância.)
Este texto foi escrito, segundo depoimento do "autor", de formas desconexas, aleatórias, e indivudalmente. Eis que um belo dia o então dono desse blog, resolve participar da Bienal da Une, e com pena de gastar R$ 40,00 pede ajuda ao escritor para "inscrever um trabalho", uma vez tendo o "trabalho" selecionado, ganhava-se a insenção da inscrição da Bienal e mais um "pro-labore"...eis que deu certo(Não me pergunte como, com um título desses...). Acontece que fui pra Bienal, colhi os louros da vitória, e agora percebi que o dinheiro do "pro-labore" não deu pra pagar o meu "fornecedor" de textos...dai o cara liga me pressionando pedindo mais dinheiro...é um tal de "Ahmed" que trabalha pra um tal de "José Kosta"...fui pra Bienal só com o "título" afinal o texto nem é tão bom assim...
André Martins
14/04/2011
Procure em meu falido blog meu texto sobre humildade desnecessária. Acho que cabe perfeitamente bem em suas ultimas palavras, considerando que o texto é todo bom, ainda que eu acredite piamente que é uma carta de suicídio.
ResponderExcluirentão esse é o famoso placebos, suicídio e sorvete de floco... felicidades meu amigo!!
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