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Chico Buarque não tinha necessariamente algo haver com aquela história, talvez pelo fato de todos os seus derradeiros romances terem sidos embalados com suas canções, talvez por aquele assunto ser recorrente em suas conversas em mesa de bar, talvez por oportunamente ele estar lendo um ou outro romance enquanto suspirava pelo leite derramado, ou talvez que quando saia pelas ruas vagando pelo Leblon, nunca seria descartada a hipótese de se trombar com o “talvez ídolo”. Seus amigos diziam que ele estava na “decadência”, - Toda vez que vejo o fulano ele está naquele mesmo bar, praticamente com as mesmas roupas, mesma cara amassada, um livro/agenda que creio eu que dificilmente ele lê, e pra finalizar ele está sempre com uma mulher diferente, que aparentemente pode ser feia ou bonita, gorda, magra, triste, ninfomaníaca, empresária, protestante, nojenta, estranha, vaidosa, louca, preta, azul...mas que no final aparenta sempre ser a mesma mulher com a mesma afinidade(ou fingia ter) idiota pelo tal Buarque de Holanda...
Ele retrucava: - Sendo assim, fica mais fácil, já é meio caminho andado...Plagiava canções, fingia fazer poesia, chorava depois de alguns goles, e sua tristeza parecia se completar com qualquer uma das meninas multi-uso que porventura o acompanhava. Eram romances tão banais, tão comuns na sua essência, que podia ouvir o mesmo disco “o amante” com todas que nenhuma música podia ter algo em particular com a gostosa da academia ou a frentista(tenho minhas dúvidas quanto a veracidade desses fatos). Acordava com : - Vai trabalhar vagabundo...e dormia por vezes as lágrimas com: - Dorme meu pequeninho, que ele está muito doente, de tanto amor que ele tem... Seria piegas eu dizer que “todo dia ela faz tudo sempre igual” talvez o certo de cantar seria: - Todo dia por ventura quem infelizmente esteja com ele faz tudo igual... e buarqueando ele levava a vida, ou pensava que levava, ou fingia, tinha a impressão, a leve impressão, enquanto tinha esses questionamentos ia tomando calmantes, excitantes e um bom bocado de gim, só pra não esperar tanto tempo vendo a banda passar...
Era um dia novo, uma idéia nova e já não havia tanta necessidade de se “desabafar”, continuava tudo no “mesmo soneto, mais um retrato em branco e preto pra acalmar meu coração”. Era tudo muito repetitivo ficava o dito por não dito, só que não existia mais que perfeito para alguma coisa ser desfeita. Nuca mais tinha ido ao cinema nunca mais tido um romance, e lhe faltava dinheiro para ter drink no lance, parecia haver uma escassez de garçonetes ou turistas, e até auxiliares de enfermagem... Essa meia história, meia crônica, meio desabafo, poderia terminar por aqui. Ou não. A fonte de histórias sobre Chico é inesgotável, sem fim, logo esta história não acaba é infinita, uma vez que todo esse amor gasto, esse amor não vivido, não correspondido, vai ficar guardado, pairando, flutuando milênios no ar, e quem sabe então, a filha da gorda, a neta da auxiliar de enfermagem, a azul, preta, ou quando quem sabe a gostosa da academia ficar escrota, vai finalmente num futuro nem tão distante vai poder usar/se comprometer/viver/ encontrar...esse amor que não foi vivido, porque não foi correspondido, então poderão usar finalmente esse amor, os futuros amantes.
André Martins
22/03/11
Diante de tamanho privilégio, de já ter lido esse texto antes de ser aqui publicado, venho apenas dizer, mais uma vez, o quanto gostei dele; não por falar no Chico, mas por parafrasear de forma simples suas músicas, suas letras, suas poesias... Muito bom.
ResponderExcluirMuito boas as tuas reflexões fictícias. rs. Gostei muito. Vou torcer ardentemente pro personagem nunca desperdicar o seu doce predileto, feito com açucar e com afeto, por quem te abre os braços.
ResponderExcluirO importante é exercitar...... coragem não te falta! e se "bem estar" "nostalgia" ou "dor de barriga" fazem parte do pós degustar, deixe que nosso "estômago" se encarrega da digestão. Palavras sentidas e cuspidas da forma que sabes fazer.... sem muito blá blá blá e sem cortes, sem matar o texto em ti e de ti nascer o texto em nós.
ResponderExcluirComo já dizia o Robsinho, "filé filé meus amigos". Sabia que era só fachada a agenda em cima da mesa do The Beatles. Tirando as gracinhas,excelente testículo, e acredito que muita gente ao ler deve ter se identificado. Imagino que tenhas demorado a publicar mais um de teus textos por ser exigente consigo mesmo, então, que continues demorando, mas publicando coisas gostosas de se ler como foi o caso deste.
ResponderExcluirSinto que a minha ausência de conhecimento chicobuarquísticos prejudicaram,talvez não a compreensão, mas, o deleite de tão sincera e profunda invenção.
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